terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mensagem da Serafina



Chegaram pelo correio, podem acreditar! Um envelope grande, com as duas fotos -- o ribeirão que passa no sítio dos seus avós e alguns galhos da primavera que fica perto da janela do seu quarto -- e um bilhetinho falando do tamanho de sua saudade.
Nós também estamos saudosos, Serafina, mas queremos que você aproveite esses dias de férias prolongadas e volte com muita saúde e energia para espantar e mandar bem longe os vírus da nova gripe.

domingo, 9 de agosto de 2009

O meu rio Tietê...




... no trecho que passa pela cidade, dividindo-a no "pra lá e pra cá da ponte". Quanto amor eu sinto por estas terras que me serviram de berço! Quanto amor eu sinto por essas águas que me cantaram (e ainda cantam...) tantos acalantos!


sábado, 8 de agosto de 2009

O Ipê Branco



Esta verdadeira maravilha de um branco róseo fica em um dos cantos do jardim de Tietê, meu jardim, minha cidade... Venha ver! Faça um esforço, vai valer a pena! Mas venha logo, venha amanhã, pois as flores do ipê já estão cobrindo o verde da grama e das calçadas próximas.
Passei boa parte da manhã de hoje embevecida diante de tanto esplendor!

domingo, 2 de agosto de 2009

Convite à reflexão

Húmus é a matéria orgânica em decomposição que fertiliza e enriquece a terra onde se acumula e permanece. Essa terra, rica em nutrientes, está pronta para acolher em seu seio as sementes que nela forem depositadas.
Do termo original latino humus também derivaram outras palavras, entre as quais humano, humilde e humildade.
Veio daí o convite à reflexão, que já dura quase uma semana, em forma de perguntas, deduções (mais que respostas), comparações, consultas a dicionários, enfim, uma intensa maratona por conta do tema que me apaixonou e indignou, ao mesmo tempo.
Se a palavra húmus tem uma acepção tão bonita quanto vigorosa, por que humildade significa "modéstia, virtude que nos dá o sentimento de nossa fraqueza, demonstração de respeito e submissão"?
O humilde, então, é um modesto submisso, com plena noção de sua fraqueza?!?
Humilhar uma pessoa é, realmente, torná-la pequena, minimizá-la, distanciando-a dos demais...
Demais? E quem seriam esses demais?
Os arrogantes, talvez, que relegam a um plano inferior as pessoas de origem humilde, de hábitos simples, com pouco ou nenhum estudo? Será que seria?!?
Mas, se os humanos humildes pisam o mesmo chão fertilizado pelo húmus e fazem dele sua horta, seu pomar, seu jardim, sua morada, seu altar, seriam inferiores aos ditos "demais" exatamente em quê?!?
A terra, o solo, o chão são os mesmos para todos, sem distinção. E, nesse sentido, todos os seres humanos, humildes ou não, estão absolutamente nivelados!
Vou parar de pensar um pouco no assunto, agora que já dividi minhas inquietações com vocês, antes que os nós que estão soltos na minha cabeça se tornem cegos e ameacem a minha já um pouco turva lucidez.

sábado, 25 de julho de 2009

Quanto mais se vive...

Ontem, 24 de julho, o Serafinices completou meio ano de existência.
Hoje, 25, minha agenda me avisa que é o Dia do escritor.
Daqui a menos de 3 meses vou completar 60 anos de idade. E fico muito aborrecida quando as pessoas não me deixam falar sobre a velhice e me interrompem com aquelas velhas e desgastadas frases:
"Não parece! Qualquer pessoa não lhe daria mais que 50!" (ou até 40, 40 e poucos, imaginem!!!)
Ou então... "Você tem espírito jovem, nunca vai ficar velha!" Isso, quando não acrescentam:
"Ainda mais escrevendo para crianças!"
O que importa, minha gente, não é parecer. Importa, sim, continuar vivendo, naturalmente, ciente de que o tempo nos impõem limites e de que eles vão restringir nossas acões, claro.
A única coisa que temos a fazer é aceitar a constatação, com serenidade, e fazer tudo o que nos for possível para superá-los.

Faz mais de um mês que o joelho direito vem me incomodando bastante. Não me impediu de andar, mas de fazer as caminhadas e os exercícios a que meu corpo estava acostumado.
Confesso que isso mexeu muito comigo. Fiquei triste, chateada, um pouco deprimida, até.
Foquei, então, toda a minha atenção e energia nessa parte tão delicada da perna e de vital importância no nosso dia-a-dia. Afinal, dela dependem os nossos movimentos.
Foram seções e mais seções de fisioterapia, acupuntura e outras terapias alternativas, para evitar os terríveis efeitos colaterias dos anti-inflamatórios.
Mas agora, neste momento solene, manhã chuvosa do sábado do escritor, quero manifestar oficialmente o meu agradecimento ao joelho direito.
"Você me mostrou claramente um limite que, em última instância, afeta uma das coisas que mais amo na vida: viajar. Viajar significa andar muito, caminhar por ruas de pedra, que sobem e descem, ruelas estreitas, com saliências e reentrâncias inesperadas. Viajar significa andar muito, mesmo em um piso regular, subir e descer escadas, em museus, teatros, cinemas e feiras ao ar livre; viajar significa aventurar-se por estradas e atalhos, passar sob uma cerca de arame farpado para chegar a um lugar de onde se pode admirar uma paisagem magnífica! E viajar significa, principalmente, ir conhecendo pessoas de diferentes culturas pelos caminhos trilhados.
Você me mostrou também uma faceta que eu desconhecia em mim: mil vezes as rugas, sinais do tempo, mil vezes a flacidez, os efeitos da lei da gravidade, que a dificuldade ou até a impossibilidade de um movimento que limita e restringe o meu ir e vir. E isso me causou uma sensação muito boa, de paz com a vida e comigo mesma."

O joelho direito me fez parar para refletir e me mostrou que não estava sendo tratado como deveria, que estava sobrecarregado com o peso de uma tarefa que ele já não conseguia cumprir.
Obrigada, joelhinho! Pode ficar sossegado, pois eu entendi o recado e aprendi a lição.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Começar de novo

Os funcionários da Eletropaulo vieram trocar a lâmpada do poste que fica em frente à Morada e jogou fora o ninho da família bem-te-vi. Eu reclamei e um deles me respondeu que estava vazio.
O que ele não devia saber é que, se ninguém pusesse as mãos no ninho, a mãe bem-te-vi poderia usar o mesmo para chocar outras vezes.
Assim, a família teve que construir um novo, pois a época de procriar está próxima.
A família costuma frequentar meu quintal, mais exatamente o muro que divide minha casa e a do vizinho, para comer um pouco da ração de Nina e Filó. Já experimentei colocar quirera graúda, como a que dou para os passarinhos que visitam diariamente meu jardim, mas não adiantou.
Se a ração não estiver em cima do muro, eles entram na cozinha e se servem diretamente no prato, o que irrita solenemente as cachorras quando se dão conta da presença dos intrusos...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

De volta ao lar




Chapeuzinho voltou para sua casa. E com ela também voltaram a Vovozinha e o "Lobobom".
Como sempre, minha produção caseira de fotos deixou muito a desejar. Além disso, a disposição das mesmas é automática e nunca fica do jeito que eu gostaria que ficasse. Ainda tenho muito o que aprender para ser uma blogueira exímia...
Lamentações à parte, espero que vocês tenham entendido como funciona a "três em uma" da querida Dona Cida.

Só um detalhe: as sobrancelhas e os cílios de suas bonecas são bordadas em ponto atrás e os lábios, em ponto cheio.
O capricho das roupinhas é impressionante: obra de uma exímia (ela, sim...) costureira.
Dona Cida, na verdade, foi uma das mais admiráveis artistas populares que encontrei em minhas viagens ao longo do Velho Chico.

sábado, 11 de julho de 2009

Com bonecas, com afeto...

Este é o começo de uma coleção de bonecas artesanais, que pretendo fazer crescer muito ainda.
A maioria foi trazida de vários lugares do norte/nordeste por mim já visitados.
Outras estão impregnadas do afeto de pessoas queridas. Todas igualmente significativas.
Só ficou fora da foto uma "três em um", emprestada para a filha de uma amiga. É a Chapeuzinho Vermelho que, virada de cabeça para baixo, mostra a vovozinha, com outra roupa, da qual faz parte uma touca. Suspendendo a ponta da touca, a vovó passa a ter a cara e orelhas de um lobo, cuja aparência não consegue assustar ninguém...
Essa e outras quatro saíram das mãos de fada da querida Dona Cida, bonequeira de Montes Claros, Minas Gerais, que exerce sua arte à perfeição!
Onde quer que a senhora esteja, dona Cida, receba meu abraço muuuuito apertado!

domingo, 5 de julho de 2009

O coração do cacho

Vejam só o tamanho do coração deste cacho de banana! As frutas ainda vão crescer bastante antes de se tornar uma deliciosa sobremesa: banana frita com açúcar e canela. Hum...
Vocês já experimentaram?
Bom fim de domingo a todos!

Reminiscências

Dentro de mim... Tietê!
(Que infância feliz!)

Velho Pátio do Mercado,
tão grande e acolhedor.
Nele, o nosso casarão:
porta aberta, entrada franca,
carta aberta à liberdade
do quintal ao Porto Geral.

O Sobradão, bem ao lado,
em meus sonhos de menina
era um castelo encantado!
Já a casa de Nh'Anica,
um castelo assombrado!
A bruxa brava era boa
(adorava uma broa),
e a poção do seu caldeirão,
com pó de pirlimpimpim
e muita migalha de pão,
só fazia aumentar
a magia do Sobrado!

Raul e seu violão,
nosso ébrio companheiro...
Ataliba, em aparição,
misterioso cavaleiro!

Zaqueu e seu megafone,
Gustavo, Zezinho Fogaça,
Nhô Cá e seu cadilaque,
Ámoce e seu cobertor,
Nhô Lau e seu trabuco...
Não são nomes, já são lendas,
meus sonetos sem emendas.

O lado de cá do rio
tinha o Pátio, o Porto, a Praça.
Do lado de lá da ponte,
alcancei a Bela Vista.
E foi de lá que enxerguei,
foi de lá que percebi
a amplitude do horizonte!

Nessa simples travessia,
uma grande descoberta:
o mundo era enorme, imenso,
muito maior que o Sobrado!
E, como o meu casarão,
tinha a porta sempre aberta!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Férias!!!


Andei um pouco sumida, eu sei, e peço desculpas a todos.
Acontece que estive totalmente dedicada às provas de fim de semestre.
E valeu a pena, como valeu! Passei em todas as matérias, com boas notas, nenhuma recuperação e, como prêmio, férias no Ribeirão Fundo!!!
Para quem não sabe, esse é o nome do sítio onde moram meus avós, o vô Quim e a vó Rita, um dos lugares mais lindos do mundo!
Os dois já estavam aqui em casa, esperando que eu terminasse as provas para me levar com eles. Estou feliz da vida! E só volto no penúltimo dia de férias, para não chegar muito em cima da hora.
Até a volta! Um beijinho da Serafina

terça-feira, 30 de junho de 2009

O indutor de sonhos

Para construir os 4 volumes que compõem a coleção Caminhos do São Francisco, editados pela FTD, viajei durante dois anos, num intenso movimento de ir e vir. Procurei seguir, por terra, o curso do Velho Chico, da nascente à foz, passando por todos os estados por ele banhados.
E mais: fui em busca dos chamados "bolsões de pobreza", para ver de perto o que alguns documentários já haviam me mostrado. Andei pelos sertões de Minas, da Bahia e de Alagoas, especialmente, e o que vi e vivi em contato com a miséria e a fome, agravadas pela seca, que ainda assolam tantas pessoas, fizeram de mim uma outra pessoa.
Não se passa impunemente por caminhos assombrados por tanto sofrimento, tanta crueldade e tanta desumanidade, em décadas e mais décadas de descaso e abandono.
Fiz o que pude. E continuo fazendo.
E eu, que tanto falo em sonhos, que sempre sonhei vivendo e vivi sempre sonhando, e que até agora, prestes a completar 60 anos, alimento de pequenos sonhos a rotina do meu imaginário sempre faminto, sem ter a consciência de como faço isso, pois bem, eu me deparei com crianças -- e quantas! -- que não tinham comida para matar a fome, água para matar a sede, remédio para matar a dor, carinho e atenção para matar a indiferença, o desamor.
Crianças que mal moravam, não brincavam, não estudavam e ... não sonhavam! Mas como sonhar suportando o peso da vida com as poucas forças que tinham?
Crianças cujos olhos não brilhavam. Mas como brilhar sem perspectiva alguma, sem horizonte, tendo, a perder de vista, apenas a caatinga que mal conseguia sobreviver na terra rachada de tão seca?
Dei amor, dei comida, dei roupas, dei o que pude. Doei livros, tantos quantos pude conseguir.
Faltava, porém, uma coisa que pudesse mexer com a imaginação daqueles meninos, tão seca e árida quanto a terra que pisavam.
O que fazer? O quê?!?
De repente, um belo dia, deu o estalo: um caleidoscópio! Um, dois, três, tantos quantos eu pudesse esparramar pelos sertões afora.
Foi o que fiz. Algum sonho colorido há de ter iluminado aquelas cabecinhas e alimentado seus corações! E só o fato de saber disso já me deixa em estado de graça!

Em tempo: se você conhecer alguma criança com olhos opacos, parados, olhando fixamente para um ponto vago do infinito, procure um caleidoscópio e lhe dê de presente.
Você não imagina o bem que estará fazendo a ela e a si mesmo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A casa-cueva



As cuevas são formações naturais que existem em algumas montanhas; podem ser de origem vulcânica ou produzidas pela erosão causada pela água em algum material arenoso.

Na Idade Média, provavelmente, começaram a ser utilizadas como moradias provisórias por pastores e camponeses.

Mais tarde, chegaram a ser ocupadas também por bandidos, assaltantes, los salteadores de caminos, e ciganos.

Com o tempo foram se transformando em moradias "quase " normais, embora, atualmente, ninguém esteja autorizado legalmente a viver nelas, uma vez que não possuem a chamada cédula de habitabilidad, que corresponderia ao nosso "habite-se".

Outra vez os moinhos...


Faz dias que estou pensando na viagem que fiz a Campo de Criptana, terra dos moinhos de D. Quixote.
Começo a olhar as fotos, ler as anotações feitas, fecho os olhos e me lembro, mais que isso, vivo de novo a situação a que cada uma das imagens me remete.
E a alegria que senti naqueles momentos, volta com toda a força da primeira vez.
O mais incrível é que, embora realizado, o sonho continua um pouco sonho, ainda, não sei bem como explicar... É como se houvesse um componente mágico que conseguiu unir a minha alma à do Cavaleiro Sonhador, de maneira irreversível, eterna.
Para celebrar esta ligação tão forte fui buscar as fotos de uma casa-cueva que conheci e que me encantou. Entrar nela, percorrer seus diminutos cômodos foi sentir a emoção dos séculos de história que já haviam sido vividos naquele lugar.
Tenho que voltar a Campo de Criptana.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Cadê a brincadeira?

Você tem criança pequena em casa? Filho, sobrinho, neto, afilhado?
Pois então ache um tempinho, segure sua mãozinha, com a palma para cima, e, bem devagar, vá percorrendo-lhe o braço com os dedos, como se estivesse andando sobre ele. Enquanto isso você vai dizendo:

Cadê o toucinho daqui?
Gato comeu.
Cadê o gato?
Foi pro mato.
Cadê o mato?
O fogo queimou.
Cadê o fogo?
A água apagou.
Cadê a água?
O boi bebeu.
Cadê o boi?
Foi amassar o trigo.
Cadê o trigo?
A galinha espalhou.
Cadê a galinha?
Foi botar o ovo.
Cadê o ovo?
O padre bebeu.
Cadê o padre?
Foi rezar a missa.
Cadê a missa?
O povo ouviu.
Cadê o povo?
Foi por aqui, por aqui, por aqui....

Quando chegar no "por aqui", começa a sessão de cócegas, de levinho, embaixo do braço, na cintura, na sola dos pés... Essa parte da brincadeira é por sua conta.
Tomara que ela seja muito divertida para ambas as partes!