quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Chico Rosa


É o lourinho mais lindo, mais charmoso, mais especial, um pouco temperamental, brincalhão, fala, assobia e canta, em vários tons e timbres, repete "Tina, Tina, Tina", em voz de soprano, sempre que vou visitá-lo, na casa do meu irmão...
Adora comer rosas e outras tantas flores -- para ele, um fino banquete --, gosta muito de café com miolo de pão ou carolina (aquele biscoitinho redondo, oco, coberto com açúcar), pela manhã, adora pinhão cru -- passa horas entretido, tirando sua casca para comer o frutinho --, adora coco, milho na espiga, bolos em geral, maçã, jiló, além, claro, das sementes de girassol, misturadas com frutos secos, que seu dono não deixa faltar.
É a alegria da casa, principalmente por volta das 5 da tarde, quando tem um pique de energia e dá uma "palhinha" de tudo o que sabe fazer.
Sempre canto para ele ouvir, pois a expressão do seu rostinho me diz que isso o agrada muito.

Amo você, meu Chiquinho! Com amor eterno e infinito!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O nascimento das amarílis

Desculpem, sei que exorbito! Mas eu não aguento não falar de flores! Só quero que vocês acompanhem comigo o desabrochar dos quatro botões sustentados pela mesma haste.



Uma figurinha carimbada!







Hoje e amanhã só vai dar você, Chico!
Primeiro algumas fotos, depois algumas histórias desse papagaio queridíssimo que pertence ao meu irmão, Zé Márcio. E, por isso mesmo, um dileto membro da família Porto.



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Morada das Flores...





... exuberante,
em plena primavera!










quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Os trilhos da saudade...

_ Está com dor, Serafina? Dor de cabeça, de barriga? O que foi que você comeu no almoço?

_ Hã? Dor? Almoço? Hum... que fome! Não, seu Nonô, não se preocupe. Acabei pegando no sono quando o senhor começou a imitar o barulho do trem e sonhei com um cavalo mágico, que se assustou com um espantalho horrível e me derrubou. Se eu acordei falando em dor, deve ter sido a dor do tombo do sonho, só isso.
_ Ah, então fomos dois, Serafina, pois eu também acabei tirando um bom cochilo. E acordei sem dores, mas com fome... Que tal a gente interromper a contação de histórias para fazer um bom lanche?
_ Ótima idéia, seu Nonô! Ótima idéia!

Depois do lanche, que mais lembrava uma refeição...
_ Que delícia, seu Nonô! Este nosso lanche mais parecia um daqueles cafés da tarde no sítio dos meus avós. Tiana é a melhor quituteira que conheço! E a vó Rita, então, faz uma espécie de sonho frito, que fica oco por dentro, macio feito paina, que vem mergulhado em uma calda feita com água de laranjeira. Além de deliciosíssimos, ficam um pouquinho perfumados, o senhor acredita?
_ Claro que acredito, Serafina. O perfume da flor da laranjeira é inebriante! E me faz lembrar de muitas histórias, além daquela sobre as noivas, que já lhe contei.
_ Pois então, a gente pode dar uma parada, para refrescar a memória, e marcar outra sessão de histórias, daqui a algum tempo. O que o senhor acha?
_ Acho ótimo, Serafina. Muito mais que a sua, a minha memória precisa de muito refresco...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os trilhos da saudade e dos sonhos

_ Saudades do perfume das flores de sua mãe, seu Nonô? Que bonito...
_ Ah, saudades de tudo, minha filha! Do barulho do trem, que passava perto... Que vontade de fazer uma viagem nele, meu Deus, que vontade de correr o mundo pelos trilhos do trem! Nem que para isso eu tivesse que trabalhar como maquinista! Quando ouvia aquele apito grave
-- fooooooooom! -- ... Está me ouvindo, Serafina? Bem, quando eu ouvia...

... Quando ouvia o apito do trem, chamava por Pégaso, meu cavalo que não precisava de asas para ser mágico, e íamos atrás dele, os dois, só pelo prazer de ultrapassá-lo rapidinho e acenar para quem estava dentro. Nosso passeio era por outros reinos, desconhecidos dos simples mortais, verdadeiros paraísos do planeta, onde só nós dois podíamos entrar. Eram cascatas e mais cascatas, aves raras, animais selvagens e plantas carnívoras, que não nos atacavam, nunca, flores exóticas, vitórias-régias que se abriam e fechavam quando a gente passava, em um solene cumprimento...
Mas sabe a única coisa que conseguia assustar meu cavalo e quebrar seu encanto, por algumas horas? Algum espantalho, acredite se quiser! Pégaso parava, relinchava, abaixava, para que eu pudesse descer, e começava a andar de ré, até sumir na imensidão!
Uma vez, ele deu de cara com um espantalho tão feio, mas tão feio, que saiu em disparada, sem me dar tempo de descer! Que tombo, meu Deus, que dor!...

_ Dor, Serafina? Mas o que foi que aconteceu?

(continua na próxima postagem)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Será o Benedito?

(Mais uma história do seu Nonô...)

Sabe do que me lembrei agora, Serafina?
Das procissões na fazenda. Se as águas de março demoravam, era a procissão do dia 19, para pedir chuva e colheita farta a São José. Nos meses de junho, então, eram as rezas para Santo Antônio, nos dias 11, 12 e 13, a festa junina, sempre na noitinha do dia 23, véspera de São João, e a procissão para São Pedro, no dia 29, que culminava com a queima de fogos.
Mas a maior festa religiosa da fazenda, Serafina, acontecia no último fim de semana de setembro, em homenagem a São Benedito. Como devotos do santo negro, que foi cozinheiro, os donos da fazenda mandaram erguer uma capela para ele. Era pequena, singela, mas muito bonita!
Eram três dias de festança esperados o ano inteiro! Começava na sexta e acabava no domingo à noite. E vinha gente de toda a redondeza para participar da quermesse, do leilão, dos comes e bebes, do cururu, uma espécie de dança de roda, com música feita na base do desafio, e do baile, um verdadeiro arrasta-pé, onde se dançava de tudo, até o raiar do sol do domingo.
A parte da decoração da capela e do barracão da quermesse ficava sempre por conta da minha mãe, que caprichava nos arranjos das flores que colhia nos canteiros que ela mesma cultivava. E tinha um ciúme danado deles, Serafina!
Até a nossa casa, me lembro como se fosse hoje, até a nossa casa ficava florida em época de festa.
Tenho saudades até do perfume das flores da minha mãe...

domingo, 18 de outubro de 2009

Um ótimo domingo...





Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão...
Eu passarinho!

Mario Quintana





... na companhia do nosso queridíssimo Mario Quintana, começando pelo charmoso e original Café Santo de Casa, situado no sétimo andar da Casa de Cultura que leva o nome do escritor e percorrendo, depois, com serena emoção, o interior do edifício, antigo hotel onde ele viveu durante muitos anos. Tudo isso em Porto Alegre, às margens do Guaíba.



sábado, 17 de outubro de 2009

Cisco do ipê amarelo

Outro espetáculo a que eu assistia, maravilhado, Serafina, era o dos ipês em flor. Havia dois brancos, na beira de um lago represado, mais dois ou três roxos, perto da casa grande, mas a maioria soltava, soltava, não, explodia suas flores, salpicando a fazenda de amarelo!
Quando isso acontecia, eu gostava de ir até um lugar bem alto, onde havia uma mangueira, e ficar sentado sob sua sombra olhando, só olhando... Daquele ponto a gente também conseguia ver o horizonte dando uma volta inteira, marcando o fim da terra e o começo do céu, em uma bola imensa, do tamanho do mundo que eu sonhava conhecer!
Às vezes, ficava ali até anoitecer, descansando e sonhando, na companhia das vacas e seus bezerrinhos, deitado no chão, olhando para o infinito. Só ia embora depois que apareciam as primeiras estrelas no céu.
Mas, por falar em bezerrinhos, sabe que cheguei a acompanhar o nascimento de muitos, Serafina? Uma vez meu pai teve que socorrer uma vaca que estava tendo dificuldades para parir. A pobrezinha sofreu, eu fiquei passando a mão na sua cabeça e rezando para que tudo corresse bem. Na hora, me lembrei de São Francisco, que gostava muito dos animais e até conversava com eles, segundo histórias de minha mãe. E como deu tudo certo, no fim, batizei o bezerrinho de Cisco Amarelo, em homenagem ao santo e à beleza dos ipês em flor, que pareciam ter emprestado um pouco de sua cor ao recém-nascido, que tinha manchas de um marrom amarelado em seu pelo claro...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A consagração da artilheira

_ E então, Serafina? Sou todo ouvidos...
_ Ah, seu Nonô, acho que não tenho nenhuma história que o senhor ainda não saiba. Eu sempre lhe conto tudo o que acontece comigo!
Lá do sítio dos meus avós, o Ribeirão Fundo, só tenho lindas lembranças. Parece que estou vendo o cafezal salpicadinho de vermelho, me dá até vontade de pintar um quadro, também vejo os bois atravessando o riacho, o milharal cheinho de espigas, sinal de que a gente ia comer muita pamonha e muito curau... O que mais?... Ah, também me lembro da inauguração de um campinho de futebol que o meu vô Quim preparou para os meninos da redondeza jogarem suas peladas. Depois de muito custo conseguiram formar dois times, juntando daqui e dali... Só que, na última hora, faltou alguém e um dos times ficou com dez jogadores. E eu, que a bem da verdade gosto mais de uma boa farra que de uma bola, como estava com uma bermuda velha e uma camiseta de ficar em casa, nem esperei ser convidada e já me coloquei a postos. E o senhor sabe da melhor? Até hoje não sei como, não me pergunte, mas consegui marcar um gol de bicicleta! Foi a maior consagração da minha vida, seu Nonô!
_ Sabe que esse caso me fez lembrar de uma outra menina que conheci, chamada Joana, a Joana Banana? Bem, mas isso não importa, agora. Eu queria sugerir um título para sua história, como você fez com as minhas. Que tal A consagração da artilheira ou O primeiro gol de placa da Serafina?
_ Acho melhor o primeiro, seu Nonô, mesmo porque nunca mais marquei gol nenhum, muito menos de placa!

Parabéns, professores!

Neste 15 de outubro eu não poderia deixar de registrar o meu forte abraço a todos os professores deste nosso Brasil tão imenso. Vocês são verdadeiros missionários, merecedores da nossa mais sincera admiração e do nosso mais profundo respeito.
Tomara que as pessoas que, nas mais altas esferas, conduzem o processo educativo do país olhem com mais carinho e atenção especialmente para os professores que atuam na formação das nossas crianças, única esperança de um futuro mais digno e promissor para as futuras gerações.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

As noivas e o perfume das laranjeiras

O perfume das flores de laranjeira me traz à lembrança os casamentos lá da roça. As noivas escolhiam justamente essa época do ano para marcar a data. E parece que até o vento cooperava e soprava mais forte nos dias de casamento para esparramar o perfume pela fazenda inteira!
Só que nem tudo eram alegrias, não... Sabe que houve até um caso em que a noiva foi raptada pelo antigo namorado, na porta da igreja? Ela estava se casando com outro sem amor, por imposição dos pais, e foi salva pelo gongo, um pouco antes de dizer o sim!
_ Que aventura, hein, seu Nonô?
_ Aventura também viveu outra noiva, coitada, que foi abandonada no altar, Serafina! Na hora do sim o noivo se arrependeu, deu meia-volta e saiu em disparada!
_ E ela?
_ Também saiu correndo, logo depois dele, montou o primeiro cavalo que apareceu na sua frente e fugiu galopando, de vestido de noiva, véu e grinalda!
_ Coitada, seu Nonô! Que vergonha ela deve ter passado! E depois?
_ Bem, quanto ao primeiro caso, os dois se casaram mesmo sem o consentimento dos pais da noiva, que já era maior de idade, e quando nasceu o primeiro netinho, o avô materno só faltou derreter de emoção...
Já a noiva abandonada ficou um tempo sem sair de casa, mas acabou se casando, mais tarde, com o irmão do noivo fujão, que veio a se tornar seu cunhado, você acredita? Bem, Serafina, já lhe falei sobre dois assuntos que marcaram a minha infância e adolescência. Agora é sua vez. Sou todo ouvidos!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dia de balanço e reflexão

"O ócio é o cenário da criação"... e a Natureza é o cenário do meu ócio.

Completar 60 anos e se sentir plena da vida que já viveu intensamente, até as últimas consequências, mais que presente é uma bênção.
Completar 60 anos e ainda sentir entusiasmo pelo que está por vir é uma graça bendita e infinita.
Como posso dizer que não sou uma pessoa privilegiada?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Paisagem de neve na roça de seu Nonô

Uma das paisagens mais bonitas que até hoje conservo na memória é a das roças de algodão, um pouco antes de ser colhido. Meu maior sonho era poder sobrevoar a fazenda de helicóptero, para ver lá de cima aquele pedaço imenso de chão forrado de branco!
Isso também acontecia quando a paineira, que ficava ao lado da nossa casa, começava a abrir seus frutos para soltar a paina. Era como se fossem flocos de algodão pendurados em seus galhos.
Quando ventava mais forte, os chumaços caíam e cobriam o chão de fiapos brancos.
Nessa mesma paineira havia uma casinha de joão-de-barro, muito especial, pois eu tinha acompanhado sua construção. Um verdadeiro arquiteto esse pássaro! Digo isso, porque quando a casa ficou pronta não resisti à tentação de subir na árvore para dar uma espiadinha. Ainda bem que ela estava vazia quando fiz isso. Tinha até uma paredinha para dividir os cômodos, Serafina! Um verdadeiro encanto da natureza!

Um dia muito especial


Hoje, 12 de outubro, é o aniversário do seu Nonô (na cadeira de balanço, junto com a Serafina, foto tirada na "Felippe", em Dois Irmãos, RS), dia da criança, dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida...
Hoje também se comemora, pela primeira vez, o Dia Nacional da Leitura!
E, como se já não bastasse, é a véspera do meu aniversário! Amanhã, 13 de outubro, completo 60 anos de idade e, na Bienal do Livro de São Paulo, em 2010, estarei comemorando 30 anos de literatura, 30 anos de trabalho com, para e pelas crianças!
Quero, pois mereço, um ano inteiro de festas! E vou começar agora, postando neste blog -- a "história" mais bonita e gostosa que inventei neste ano -- um texto inédito: algumas histórias que seu Nonô já contou à Serafina, histórias da época em que ele e sua família moravam em uma fazenda.
Faço isso pela criança e pela leitura; pelos meus leitores queridos, esparramados por este nosso imenso país, desejando ardentemente que chegue logo o dia em que cada um possa ter alguns livros em uma estante, um baú ou uma caixa de papelão, dentro de sua própria casa ou de sua casa própria, por que não?
Feliz 12 de outubro a todos!!! Parabéns, seu Nonô!